Até que ponto ser saudável é saudável?

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Muitas pessoas, especialmente mulheres, atrelam sua felicidade à conquista do que consideram o “corpo perfeito” – magro e sem gordura. O resultado disso pode vir em forma de transtornos alimentares, como a bulimia e a anorexia, que, se não tratadas adequadamente, podem levar à morte.

No dicionário, saúde significa: “estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital; estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar.” No entanto, na prática, a saúde e o bem-estar (que no dicionário é definido como “sensação de segurança, conforto e tranquilidade”) não parecem ser tão similares assim. E se transformam, em muitos casos, numa mistura de sacrifícios e obsessão.

Segundo a psicóloga e nutricionista Natalia Fuks, especialista em transtornos alimentares e obesidade, ser saudável entrou na moda e poderia ser algo excelente se não fosse o que ela chama de “patrulha da fiscalização do prato alheio”, que bombardeia as redes sociais com hashtags #vidasaudavel e faz crer que quem estiver fora disso é um perdedor. “O que tenho visto é saúde sendo designada como uma religião; “em nome da saúde”, pessoas julgam a forma que outras vivem, em especial, o que elas comem”, critica Natalia. “Como se todos devessem estar enquadrados no manual das boas maneiras de se alimentar, mas não existe esse manual, não existe alimento milagroso, nem alimento malvadinho”, acredita a psicóloga. “Saúde não é uma seita, saúde não é religião, saúde não é o que você impõe ao outro”, conclui.

Bulimia e anorexia

A bulimia e a anorexia são dois dos transtornos alimentares que mais afetam pessoas patologicamente preocupadas com a forma física. Pacientes com esses transtornos têm em comum o medo de engordar e uma distorção da imagem corporal. Eles não conseguem se ver conforme estão na realidade e a busca pela magreza é incessante.

Em um quadro de anorexia, a pessoa se recusa a comer pela necessidade de emagrecer. Ela alega falta de apetite, e, com o tempo, essa recusa torna-se cada vez mais frequente, podendo evoluir para um drástico jejum. Seu organismo acostuma-se com a pouca alimentação e o paciente chega à inanição – estado em que a pessoa fica extremamente enfraquecida por falta de alimentos – e à desnutrição.

Já no caso da bulimia, o paciente come compulsivamente e depois tenta eliminar o que comeu, por exemplo, provocando vômito, tomando laxantes ou exercitando-se exaustivamente. Esse comportamento pode trazer um alívio momentâneo, fazendo com que a pessoa acredite ter encontrado a fórmula para manter o peso sem deixar de comer o que considera proibido. No entanto, as consequências podem ser fatais, já que há pacientes que chegam a vomitar de 15 a 20 vezes por dia, levando à desidratação. Diferentemente do anoréxico, o bulímico não tem desejo de emagrecer, mas, pelo menos, manter o peso.

Natalia Fuks faz questão de lembrar que nada em excesso é saudável: “Radicalismo em ser saudável deixa de ser saudável por ser radicalismo”, afirma.

Tratamento

O tratamento de transtornos alimentares pode ocorrer com ou sem internação, de acordo com a avaliação de um especialista. É recomendado uma ação multiprofissional, com a participação de psiquiatras, psicólogos e nutricionistas. A ajuda da família é muito importante, pois tratam-se de doenças de difícil controle e recaídas frequentes.

O Núcleo Integrado conta com uma equipe de profissionais capacitada para orientar e dar suporte a pacientes com transtornos alimentares. Grupos terapêuticos para cirurgia bariátrica (pré e pós operatório) e grupo de obesidade.
Informações: (21) 3553-6442. 

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